Lição 03 - 3TRI2025 - Uma Igreja Fiel à Pregação do Evangelho

 

Uma igreja verdadeira valoriza a mensagem das Escrituras e coloca Jesus Cristo no centro de tudo o que ensina. É por meio da pregação da Bíblia que o mundo pode conhecer a Cristo. Além disso, uma igreja bíblica prega no poder do Espírito Santo.

 A pregação do evangelho é a essência da missão da Igreja, conforme estabelecido por Cristo em Mateus 28:19-20. Em Atos 3:11-19, vemos Pedro, após a cura do coxo, aproveitando a oportunidade para proclamar a mensagem de salvação. Esta pregação, realizada no templo, revela a fidelidade da Igreja Primitiva à missão que o Senhor lhe confiou.

 O milagre do coxo curado junto à porta Formosa (At 3.1‑10) deu a Pedro uma audiência pronta no pátio do templo. Em Atos 3.11‑19, o apóstolo transforma o assombro popular numa proclamação cristalina do evangelho. Nesse breve sermão vemos três marcas de uma igreja fiel à pregação: ela se ancora nas Escrituras, ministra no poder do Espírito e aponta para a esperança vindoura.

 

“A homilia de Pedro combina exposição bíblica, confrontação profética e apelo pastoral — um modelo de kerigma para todas as gerações.” Stanley M. Horton, Acts: A Logion Commentary

 

A vitalidade e a autenticidade de uma igreja são diretamente proporcionais à sua fidelidade à pregação do evangelho. Em um mundo de discursos vazios e verdades relativas, a igreja é chamada a ser a coluna e o baluarte da verdade (1 Timóteo 3.15), proclamando com ousadia e clareza a mensagem que tem o poder de transformar vidas e realidades. O livro de Atos, em sua essência, é o registro de uma igreja incendiada pelo poder do Espírito Santo e comprometida com a proclamação do nome de Jesus. O sermão de Pedro no pórtico de Salomão, registrado em Atos 3.11-19, emerge como um paradigma da pregação apostólica, um modelo que instrui e desafia a igreja contemporânea a reavaliar sua mensagem e seu método. Após a cura de um coxo de nascença, a atenção da multidão se volta para Pedro e João. O apóstolo, então, aproveita a oportunidade não para exaltar a si mesmo, mas para exaltar a Cristo. Neste sermão, encontramos os pilares de uma pregação genuinamente bíblica e transformadora: uma pregação fundamentada nas Escrituras, dinamizada pelo Espírito Santo e que aponta para a esperança vindoura.

 

A verdadeira igreja é fundamentada na Palavra de Deus. Pedro, ao dirigir-se à multidão, não utiliza argumentos humanos ou discursos motivacionais, mas se apoia nas Escrituras como base para sua mensagem. 

I – A IGREJA QUE PREGA AS ESCRITURAS

 

1.1.     As Escrituras revelam Deus.

A Igreja deve pregar as Escrituras, pois elas revelam Deus. A segunda pregação de Pedro, registrada em Atos 3.11-26, é um grande exemplo disso. A mensagem do apóstolo é completamente baseada nas Escrituras e coloca Deus no centro.

 

As Escrituras são a revelação divina, mostrando a natureza, os atributos e o plano redentor de Deus. Em 2 Timóteo 3:16, lemos que "toda a Escritura é divinamente inspirada", sendo a base para ensinar, repreender, corrigir e instruir na justiça. A Igreja fiel não prega ideias humanas, mas o Deus que se revela por meio das Escrituras inspiradas (2 Tm 3:16).

 

A pregação de Pedro começa com uma correção teológica fundamental. A multidão, maravilhada com o milagre, olhava para os apóstolos como se eles fossem a fonte do poder. Pedro prontamente desvia o foco: "Israelitas, por que vos maravilhais disto ou por que fitais os olhos em nós, como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?" (Atos 3.12). Ele imediatamente aponta para o verdadeiro autor do milagre: "O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais..." (Atos 3.13a).

 

Ao usar esta designação pactual, Pedro está fazendo mais do que identificar a que Deus ele se refere. Ele está afirmando que o Deus que agiu naquele momento é o mesmo Deus que se revelou ao longo de toda a história de Israel. A pregação fiel, portanto, não apresenta um deus genérico ou uma força cósmica, mas o Deus que se revela nas páginas das Escrituras, o Deus da aliança, soberano e pessoal. Como afirma o teólogo John Stott, "a pregação apostólica era, antes de tudo, teocêntrica". A mensagem não começa com o homem e suas necessidades, mas com Deus e Sua glória.

 

Pedro inicia lembrando que “o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó” (v. 13) é quem agiu. Ele parte do Deus revelado nas Escrituras para interpretar o milagre.

  • Salmo 19.1; 2 Tm 3.16 — a criação e a inspiração proclamam o caráter divino.
  • “A Bíblia é o melhor comentário que Deus já fez de Si mesmo.” — A. W. Tozer

 

1.2.     As Escrituras testemunham de Jesus.

As Escrituras apontam para Cristo. Jesus disse que as Escrituras davam testemunho dEle (Jo 5.39). Cristo é o centro da Bíblia.

 

“E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lucas 24:27)

“Nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Coríntios 1:23)

 

Jesus é o coração pulsante das Escrituras (Jo 5:39). A Igreja fiel reconhece que toda a Bíblia aponta para Cristo — desde Gênesis até Apocalipse.

 

Em João 5:39, Jesus afirma: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam." A Igreja deve pregar Cristo como o centro das Escrituras, pois Ele é o cumprimento da Lei e dos Profetas (Mateus 5:17).

O clímax da revelação de Deus, segundo as Escrituras, é a pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo. Pedro conecta o Deus dos patriarcas diretamente a Jesus: "...glorificou a seu Servo Jesus" (Atos 3.13b). O Antigo Testamento, que para os judeus daquela época era a totalidade das Escrituras, apontava para o Messias sofredor e glorificado. Pedro demonstra que a vida, morte e ressurreição de Jesus não foram um acidente histórico, mas o cumprimento do plano divino, "o que Deus, pela boca de todos os profetas, anunciara: que o seu Cristo havia de padecer" (Atos 3.18).

 

A pregação que honra as Escrituras é eminentemente cristocêntrica. Jesus não é apenas um apêndice da mensagem; Ele é o centro, o conteúdo e o objetivo. O apóstolo Paulo ecoa essa mesma convicção ao escrever aos Coríntios: "Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado" (1 Coríntios 2.2). Uma igreja fiel não se envergonha do escândalo da cruz e da exclusividade de Cristo como único caminho para a salvação.

 

“O Antigo Testamento é o prefácio da encarnação; o Novo Testamento é sua exposição.” — Augustino de Hipona

 

Síntese Progressiva

1.    Promessa – Gênesis abre com a semente redentora (Gn 3.15).

2.    Pré‑figuras – Tipos, símbolos e teofanias ilustram facetas do Messias (cordeiro, maná, rocha ferida).

3.    Profecia – Os profetas tornam a promessa específica: linhagem davídica, local de nascimento, sofrimento substitutivo, reino universal.

4.    Presença – Os Evangelhos mostram o cumprimento encarnado: “o Verbo se fez carne”.

5.    Proclamação – Atos e Epístolas interpretam a obra pascal e aplicam‑na à igreja.

6.    Plenitude – Apocalipse revela a consumação escatológica: vitória final, novos céus e nova terra.

 

Assim, de Gênesis a Apocalipse, Jesus é a chave hermenêutica das Escrituras: o Criador por quem todas as coisas existem, o Redentor que derrama Seu sangue e o Rei que em breve virá restaurar a criação. Pregar a Bíblia é, portanto, anunciar Cristo total ao homem total para a salvação total.


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Autor Moisés Duarte

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