Uma igreja verdadeira valoriza a mensagem das Escrituras e coloca Jesus Cristo no centro de tudo o que ensina. É por meio da pregação da Bíblia que o mundo pode conhecer a Cristo. Além disso, uma igreja bíblica prega no poder do Espírito Santo.
A pregação do evangelho é a essência da missão da Igreja, conforme estabelecido por Cristo em Mateus 28:19-20. Em Atos 3:11-19, vemos Pedro, após a cura do coxo, aproveitando a oportunidade para proclamar a mensagem de salvação. Esta pregação, realizada no templo, revela a fidelidade da Igreja Primitiva à missão que o Senhor lhe confiou.
O milagre do coxo curado junto à porta Formosa (At 3.1‑10) deu a Pedro uma audiência pronta no pátio do templo. Em Atos 3.11‑19, o apóstolo transforma o assombro popular numa proclamação cristalina do evangelho. Nesse breve sermão vemos três marcas de uma igreja fiel à pregação: ela se ancora nas Escrituras, ministra no poder do Espírito e aponta para a esperança vindoura.
“A homilia de Pedro combina exposição bíblica, confrontação profética e apelo pastoral — um modelo de kerigma para todas as gerações.” Stanley M. Horton, Acts: A Logion Commentary
A vitalidade e a autenticidade de uma igreja são
diretamente proporcionais à sua fidelidade à pregação do evangelho. Em um mundo
de discursos vazios e verdades relativas, a igreja é chamada a ser a coluna e o
baluarte da verdade (1 Timóteo 3.15), proclamando com ousadia e clareza a
mensagem que tem o poder de transformar vidas e realidades. O livro de Atos, em
sua essência, é o registro de uma igreja incendiada pelo poder do Espírito
Santo e comprometida com a proclamação do nome de Jesus. O sermão de Pedro no
pórtico de Salomão, registrado em Atos 3.11-19, emerge como um paradigma da
pregação apostólica, um modelo que instrui e desafia a igreja contemporânea a
reavaliar sua mensagem e seu método. Após a cura de um coxo de nascença, a
atenção da multidão se volta para Pedro e João. O apóstolo, então, aproveita a
oportunidade não para exaltar a si mesmo, mas para exaltar a Cristo. Neste
sermão, encontramos os pilares de uma pregação genuinamente bíblica e
transformadora: uma pregação fundamentada nas Escrituras, dinamizada pelo
Espírito Santo e que aponta para a esperança vindoura.
A verdadeira igreja é fundamentada na Palavra de
Deus. Pedro, ao dirigir-se à multidão, não utiliza argumentos humanos ou
discursos motivacionais, mas se apoia nas Escrituras como base para sua
mensagem.
I – A IGREJA QUE PREGA AS ESCRITURAS
1.1.
As Escrituras revelam Deus.
A Igreja deve pregar as
Escrituras, pois elas revelam Deus. A segunda pregação de Pedro, registrada em
Atos 3.11-26, é um grande exemplo disso. A mensagem do apóstolo é completamente
baseada nas Escrituras e coloca Deus no centro.
As Escrituras são a revelação divina, mostrando a
natureza, os atributos e o plano redentor de Deus. Em 2 Timóteo 3:16, lemos que
"toda a Escritura é divinamente inspirada", sendo a base para
ensinar, repreender, corrigir e instruir na justiça. A Igreja fiel não prega
ideias humanas, mas o Deus que se revela por meio das Escrituras inspiradas (2
Tm 3:16).
A pregação de Pedro começa com uma correção teológica
fundamental. A multidão, maravilhada com o milagre, olhava para os apóstolos
como se eles fossem a fonte do poder. Pedro prontamente desvia o foco:
"Israelitas, por que vos maravilhais disto ou por que fitais os olhos em
nós, como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito
andar?" (Atos 3.12). Ele imediatamente aponta para o verdadeiro autor do
milagre: "O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais..."
(Atos 3.13a).
Ao usar esta designação pactual, Pedro está fazendo
mais do que identificar a que Deus ele se refere. Ele está afirmando que o Deus
que agiu naquele momento é o mesmo Deus que se revelou ao longo de toda a
história de Israel. A pregação fiel, portanto, não apresenta um deus genérico
ou uma força cósmica, mas o Deus que se revela nas páginas das Escrituras, o
Deus da aliança, soberano e pessoal. Como afirma o teólogo John Stott, "a
pregação apostólica era, antes de tudo, teocêntrica". A mensagem não
começa com o homem e suas necessidades, mas com Deus e Sua glória.
Pedro inicia lembrando que “o Deus de Abraão, de
Isaque e de Jacó” (v. 13) é quem agiu. Ele parte do Deus revelado nas Escrituras para interpretar o milagre.
- Salmo 19.1; 2 Tm 3.16 — a criação e a inspiração
proclamam o caráter divino.
- “A Bíblia é o melhor comentário que Deus já fez de Si
mesmo.” — A. W. Tozer
1.2.
As Escrituras testemunham de Jesus.
As Escrituras apontam para
Cristo. Jesus disse que as Escrituras davam testemunho dEle (Jo 5.39). Cristo é
o centro da Bíblia.
“E,
começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se
achava em todas as Escrituras” (Lucas 24:27)
“Nós pregamos a Cristo
crucificado” (1 Coríntios 1:23)
Jesus é o coração pulsante
das Escrituras (Jo 5:39). A Igreja fiel reconhece que toda a Bíblia aponta para
Cristo — desde Gênesis até Apocalipse.
Em João 5:39, Jesus afirma:
"Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e
são elas que de mim testificam." A Igreja deve pregar Cristo como o centro
das Escrituras, pois Ele é o cumprimento da Lei e dos Profetas (Mateus 5:17).
O clímax da revelação de
Deus, segundo as Escrituras, é a pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo. Pedro
conecta o Deus dos patriarcas diretamente a Jesus: "...glorificou a seu
Servo Jesus" (Atos 3.13b). O Antigo Testamento, que para os judeus daquela
época era a totalidade das Escrituras, apontava para o Messias sofredor e
glorificado. Pedro demonstra que a vida, morte e ressurreição de Jesus não
foram um acidente histórico, mas o cumprimento do plano divino, "o que
Deus, pela boca de todos os profetas, anunciara: que o seu Cristo havia de
padecer" (Atos 3.18).
A pregação que honra as
Escrituras é eminentemente cristocêntrica. Jesus não é apenas um apêndice da
mensagem; Ele é o centro, o conteúdo e o objetivo. O apóstolo Paulo ecoa essa
mesma convicção ao escrever aos Coríntios: "Porque decidi nada saber entre
vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado" (1 Coríntios 2.2). Uma
igreja fiel não se envergonha do escândalo da cruz e da exclusividade de Cristo
como único caminho para a salvação.
“O Antigo
Testamento é o prefácio da encarnação; o Novo Testamento é sua exposição.” — Augustino de Hipona
Síntese Progressiva
1.
Promessa – Gênesis abre com a
semente redentora (Gn 3.15).
2.
Pré‑figuras – Tipos, símbolos e
teofanias ilustram facetas do Messias (cordeiro, maná, rocha ferida).
3.
Profecia – Os profetas tornam a
promessa específica: linhagem davídica, local de nascimento, sofrimento
substitutivo, reino universal.
4.
Presença – Os Evangelhos mostram o
cumprimento encarnado: “o Verbo se fez carne”.
5.
Proclamação – Atos e Epístolas
interpretam a obra pascal e aplicam‑na à igreja.
6.
Plenitude – Apocalipse revela a
consumação escatológica: vitória final, novos céus e nova terra.
Assim, de Gênesis a Apocalipse, Jesus é a chave
hermenêutica das Escrituras: o Criador por quem todas as coisas existem, o Redentor que derrama Seu
sangue e o Rei que em breve virá restaurar a criação. Pregar a Bíblia é,
portanto, anunciar Cristo
total ao homem total para a salvação
total.
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